Crescente procura pelo gênero teatral traz ao Brasil produções cada vez mais elaboradas
| Alunos ensaiam musical Hairspray |
O atual cenário de teatro no Brasil mostra um alto nível de produções, dignas de Hollywood, e com cada vez mais investimentos na área. Principalmente quando se fala de musicais. O que exige, de quem realiza o espetáculo, aprimoramento constante e completo. É o que afirma a diretora geral da Casa de Artes OperÁria Ana Taglianetti. O espaço, voltado para a preparação de atores para musicais, recebe profissionais e admiradores do gênero para treinamento de canto, dança e interpretação.
Muitos alunos da casa procuram, dentre as atividades oferecidas, estarem em contato com o que o mercado exige do ator para as produções atuais. “O artista de musicais precisa ser ator, cantor e bailarino, e que pelo menos, faça bem duas dessas atividades. Exercer as três será um diferencial importante nesse mercado de trabalho competitivo e ainda restrito.”
No entanto, é difícil garantir que esse artista vá conseguir trabalhar exclusivamente com musicais. “A maioria mantêm carreiras paralelas, ou parte para a área de ensino, para trabalhar na formação de outros artistas. Temos alunos dentistas, médicos, engenheiros... noventa por cento de quem trabalha com musicais tem outra atividade.”
| Junior e Karina: fomação acadêmica |
Karina Mathias e Júnior Velloso, que se formarão este ano em artes cênicas, comparecem como estagiários na Casa de Artes. Karina é um exemplo de profissional que tem sido bem sucedida no teatro musical. “Participei dos espetáculos Noviça Rebelde e As bruxas de Eastwick, e agora, na minha terceira experiência, ingresso no musical Um violinista no Telhado, em um dos papéis principais. É um misto de ansiedade e medo, mas me sinto preparada.” Antes de trabalhar com musicais, ela era apenas cantora. O teatro entrou em sua vida como forma de ajudar a driblar a timidez, e acabou gostando de associá-lo à música. A atriz, de apenas 24 anos sonha continuar na carreira, porém encara com naturalidade a possibilidade de trabalhar um dia como professora de teatro.
Paixão pelo gênero musical
Não há restrição de idade nem de preparação anterior para ingressar nas turmas. Segundo a diretora, participam dos cursos crianças a partir dos 6 anos de idade, e já teve alunos iniciantes na faixa dos sessenta. Basta ter paixão por musicais para participar dos treinamentos oferecidos pelo espaço. Aliás, alguns alunos ingressam sem pretensão de seguir uma carreira, e acabam descobrindo talentos que nem imaginavam, inclusive, dando prosseguimento a uma carreira artística.
Ivan Parente, professor que ministra um workshop voltado para a produção do musical Hairspray com os alunos do espaço, afirma que, apesar da preparação dos artistas envolver dança, canto e interpretação, é importante que esse artista passe por aulas com montagem de espetáculos, para entenderem a como juntar as três artes eficientemente. “O ator precisa ter, além da dança, canto e interpretação, uma preparação emocional e mental, para juntar as artes com fluidez.” O professor lembra que a preparação leva tempo, e que é necessário paciência, para não atrapalhar o próprio processo de aprendizado, e que cada pessoa tem dificuldades diferentes. Mas todos que têm interesse pelo gênero e querem entender como funciona um musical têm as portas abertas para essa preparação.
| Família Adams: produção de Hollywood com atores brasileiros |
O que se percebe, ao acompanhar uma aula de montagem de espetáculos, é a procura crescente de gente cada vez mais jovem, que sonha uma dia, viver desse mercado. Lara Suleiman, de apenas 13 anos, através das peças que assistiu, adquiriu o interesse pela carreira de atriz de musicais. Consequentemente, ingressou com apenas 9 anos em vários cursos de aperfeiçoamento. Lara estuda na Casa de Artes, faz balé, canto, sapateado, jazz e outros cursos de interpretação. “Pretendo seguir carreira. E faço todos esses cursos porque adoro musicais”.
Vale a pena lembrar que o profissional de musicais deve ser respeitado, não só pelo trabalho em cima dos palcos, mas também, por toda a preparação e dedicação que o fez chegar até a abertura das cortinas.
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